Religião
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Alexandre da Sagrada Familia

NOME

1737-05-22

DATA DE NASCIMENTO

1818-04-22

DATA DE FALECIMENTO


pt.wikipedia.org/wiki/Alexandre_da_Sagrada_Família

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Alexandre Ferreira da Silva, nome secular do futuro Bispo de Angra – Frei Alexandre da Sagrada Família, nasceu na Vila da Horta, a 22 de maio de 1737.

No convento de Santo António da Horta, encetou os seus primeiros estudos sob a orientação de um franciscano capucho de nome Fr. Ivo da Cruz. Terminado a sua formação, a família tendo em consideração os dotes de inteligência e disposição para o estudo decidiu levá-lo para o continente e ali matriculá-lo na Universidade de Coimbra, onde veio a formar-se em filosofia, no ano de 1759. Dois anos mais tarde iniciou o noviciado no convento de Nossa Senhora dos Anjos de Brancanes, em Setúbal, professando a 13 de julho de 1762. Por essa altura, adotou o nome de Frei Alexandre da Sagrada Família, que sempre usou e pelo qual ficou conhecido.

Revelou-se de forma excecional nos seus estudos de teologia, direito canónico e civil, geografia e matemática, pelo que, rapidamente, se tornou possuidor de vasta e notável erudição, ocupando um lugar de relevo nos púlpitos, mercê dos dons da sua famosa eloquência.

Humanista e poeta arcádico sob o pseudónimo de Sílvio, escreveu uma obra que saiu anónima mencionada pelos seus biógrafos e a que deu o

título de Dores de Maria Santíssima.

Era já muito conhecido pelos seus talentos e grande fama, quando D. Maria I o nomeou bispo de Malaca, em 24 de outubro de 1781, recebendo confirmação no ano seguinte pela bula de 16 de dezembro. A sagração teve lugar a 24 de novembro de 1783, na Igreja da Trindade, em Lisboa e presidiu à cerimónia o arcebispo de Lacedemónia e bispo de Macau e Goiases. Não chegou, porém a ir para a sua diocese por, no entretanto, ter sido transferido para a de S. Paulo de Luanda (Angola e Congo) como governador e administrador do bispado por confirmação papal, cuja bula data de 15 de fevereiro de 1784.

Um episódio ocorrido com o capital-general de Angola, o barão de Moçamedes, que se queria imiscuir na administração eclesiástica e por tal lhe ter sido recusado, fez com que o bispo caísse em desagrado com Lisboa. Este facto levou o governo a recusar a bula de confirmação do prelado naquele bispado ultramarino português. Esta situação desgostou profundamente o bispo açoriano, pelo que, em segredo, abandonou África e veio refugiar-se numa cela modesta do seu convento de Brancanes. Mais tarde, entristecido pelo rumo que tomavam os acontecimentos políticos em Portugal, embarcou para a ilha Terceira, a fim de se encontrar com o seu irmão António Bernardo da Silva Garret, que tinha então residência em Angra com a família, pai do futuro visconde de Almeida Garret, expoente das letras nacionais, que manifestou sempre pelo tio-bispo, uma profunda veneração e dele deixou referências na sua obra poética.

Encontrando-se no Rio de Janeiro, a pedido do irmão António Bernardo, para impetrar um pedido, em favor do mesmo, ao rei D. João VI, ausente com a corte no Brasil, faleceu em Ponta Delgada o Senhor D. José Pegado de Azevedo, que fora o XXIV bispo de Angra e Ilhas dos Açores. Perante esta situação o rei nomeiou-o, em 17 de dezembro de 1812, para bispo da dita diocese, pelo que regressou aos Açores, no ano de 1813, ficando a aguadar a confirmação papal que só chegaria 4 anos depois. A tomada de posse da diocese de Angra ocorreu, na Igreja da Misericórdia, a 15 de dezembro de 1816. Apesar da sua idade avançada, pois já ia entrar nos oitenta anos, este prelado desempenhou eficazmente as suas imensas responsabilidades. Tomou, também, parte na vida política de então exercendo interinamente o cargo da administração da Capitania Geral dos Açores, até ao ano de 1817.

Este cultíssimo açoriano faleceu, com quase oitenta anos, a 22 de abril de 1818, tendo sido sepultado no convento de Santo António dos Capuchos, em Angra do Heroísmo.


BIOGRAFIA

Angola

PAÍS

S. Paulo de Luanda

CIDADE


Notas Históricas Sobre Bispos Açorianos, de Valdemar Mota

FONTE